Bárbara Bonvalot - Astrologia Psicológica
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Lua Nova em Peixes 2019 – O sonho comanda a vida

27/2/2019

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ImagemFotografia de Yohann Lc em Unsplash
Na quarta-feira de cinzas, dia 6 de Março, a Lua esconde-se nos braços do Sol para iniciarem os dois a última lunação deste ano astrológico. Mais precisamente às 16h03, hora de Portugal Continental, 13h03, hora de Brasília, os dois astros juntam-se aos 15° de Peixes, o último e o mais imaterial e intangível dos signos do zodíaco.
 
Nas águas mutáveis de Peixes tudo é possível, todas as fantasias são reais, todas as emoções são sentidas simultaneamente e todas as palavras são ditas em silêncio. Os dois luminares estão mesmo, mesmo juntinhos a Neptuno, o senhor do nevoeiro e da ilusão, o que acentua a energia fugidia e esquiva desta lunação. As coisas, as pessoas ou as situações parecem escorregar-nos das mãos, como os sonhos que nos escapam da mente mal nos sentimos despertos. Mas é também no território da imaginação que nasce o impulso artístico, a necessidade de criar algo que é maior que nós próprios.
 
Mais à frente, mas ainda afogado no oceano ilimitado de Peixes, está Mercúrio. Quase no fim da sua passagem por este signo, o planeta das palavras pára e inverte a sua marcha um dia antes, encontrando-se ainda estacionário no momento da Lua Nova, e ficará retrógrado durante quase toda a lunação. Mercúrio é a lógica, a mente concreta, ele traduz as sensações e percepções em ideias compreensíveis. Em Peixes ele fica confuso e tropeça nas palavras e nos pensamentos, sem achar congruência entre o que diz e o que quer dizer. Aqui a sua função não é encontrar palavras, é, sim, encontrar formas mais subtis de comunicação, outras linguagens, que permitam que as imagens e os símbolos abarquem o máximo de significado possível. Retrógrado, Mercúrio aponta-nos os caminhos de dentro, as respostas não vêm de fora, não há ninguém que nos possa ensinar a linguagem com que nos entendemos a nós próprios. Só nós a podemos descobrir.
 
Apesar de navegarmos no alto mar, é da terra que nos chega o apoio. Saturno, a estrutura e a disciplina, está em Capricórnio, a rocha dura e inabalável que é o seu próprio território, e o enérgico Marte segue em Touro, a terra lenta e paciente, que trava o ímpeto do planeta vermelho, mas que também o torna persistente e obstinado. Os dois formam um trígono entre si e, a meio caminho entre eles, a Lua e o Sol fazem um sextil a cada um destes dois planetas. Marte em Touro, desde que tenha o estímulo certo, é incansável na perseguição dos seus objectivos e Saturno em Capricórnio é esforçado, mas também realista e ensina-nos a reconhecer os nossos limites. Os dois colaboram para a concretização dos sonhos e visões que a Lua Nova em Peixes nos traz.
 
Nesta Lua Nova a tendência é para nos perdermos na nossa própria fantasia, gerando confusão dentro de nós e afastando-nos da realidade sem nos darmos conta. A razão, o intelecto e o raciocínio de pouco valem nesta altura, agora é a arte que nos salva. Mas a arte só é arte quando ganha forma, corpo, quando é partilhada, quando a inspiração enfrenta as limitações da realidade. A arte é arte quando o nosso mundo interno se revela maior que nós mesmos e encontra eco no colectivo. Assim, as manifestações artísticas têm terreno fértil nesta lunação. Fazer (ou ouvir) música, escrever (ou ler) poesia ou dançar são algumas actividades estimuladas, não pela promessa de protagonismo, mas porque não é mais possível guardar dentro de nós aquilo que transborda do nosso peito.
 
Nesta Lua Nova não são as instruções claras e objectivas que nos vão indicar o caminho, pelo contrário, se não estivermos atentos às entrelinhas e aos silêncios, vamos ficar mais desorientados do que quando começámos. Deixemo-nos antes guiar pela imaginação e pela intuição, deixemos que a música reine sobre as palavras e que a sensibilidade seja o nosso guia. Deixemos que a nossa inspiração se manifeste, entregando-a ao mundo porque, na verdade, é aí que ela pertence. Afinal, como dizia o poeta, “o sonho comanda a vida”.

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Lua Nova em Virgem 2018 – Pequenos passos mágicos

8/9/2018

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ImagemFotografia de John Reign Abarintos em Unsplash
Com o eclipse solar de Leão tivemos a oportunidade de nos vermos como super-heróis e de conhecermos os nossos super-poderes. Agora, com a lunação de Virgem, chega o momento de pôr os nossos poderes ao serviço dos outros, através de cada pequeno gesto, grão a grão, passo a passo, sem pensar no resultado final e com a humildade de quem realmente confia nas suas capacidades e acredita na magia da vida. A Lua Nova nos 17° de Virgem é no domingo, dia 9 de Setembro, às 19h01 de Lisboa, 15h01 de Brasília, e traz consigo o poder dos pequenos actos.
 
Virgem é um signo do elemento Terra, mas esta não é a terra estável de Touro ou Capricórnio. A terra de Virgem é versátil e adaptável, é fina ao toque e precisa nos detalhes. Virgem tem o poder da discriminação, da análise e a noção do pormenor e o seu mundo é feito daquilo que os seus cinco sentidos conseguem experienciar. Virgem é o artífice que põe toda a sua dedicação nos detalhes de cada peça que fabrica. Virgem é a curandeira que conhece as ervas como ninguém e sabe combiná-las com as palavras certas para esconjurar os males que nos afligem. Virgem é o cientista que através da experimentação e da análise rigorosa abre novos caminhos no conhecimento da realidade.
 
Oposto à Lua e ao Sol, do outro lado do zodíaco, em Peixes, está Neptuno, que desafia a realidade arrumada, tangível e mensurável de Virgem. O planeta da ilusão e da fantasia atira-nos areia para os olhos e confunde-nos os sentidos, a nossa percepção é alterada e a nossa miopia impede-nos de distinguir os contornos daquilo que está fora do alcance das nossas mãos. Precisamos separar o trigo do joio e distinguir o que é útil e necessário do que é apenas um devaneio sedutor ou uma miragem longínqua, de contrário corremos o risco de nos desiludirmos já ali à frente. É preferível pormos a nossa atenção nas tarefas que temos para fazer e que podemos realizar agora, mesmo que nos pareçam aborrecidas ou que impliquem pequenos sacrifícios.
 
Apesar desta oposição, esta é uma lunação poderosa, cheia de potencial para crescimento e regeneração. Plutão em Capricórnio forma um harmonioso trígono com a Lua Nova, acrescentando intensidade e força. A minúscula formiguinha transforma-se na Formiga Atómica, capaz de encarar qualquer desafio com foco e eficiência e pondo em cada procedimento uma poderosa intenção. Por seu lado, Júpiter em Escorpião também se harmoniza com os luminares e com Plutão e, por muito insignificante que nos pareça, cada pequenina acção terá o seu efeito multiplicado e repercutido bem mais longe do que imaginávamos, como o efeito das asas da borboleta.
 
Durante esta lunação, especialmente nas duas primeiras semanas, até à Lua Cheia de dia 25 de Setembro, é o momento ideal para a confecção de objectos mágicos, para a elaboração de elixires curadores ou para a composição de preces, orações ou invocações. E ao falar disto não falo de nada sobrenatural. Pelo contrário falo das nossas rotinas quotidianas, da nossa disponibilidade em fazer o que é preciso ser feito, de estarmos disponíveis para ajudar os outros e de cumprirmos com os nossos deveres de forma discreta e despretensiosa. A magia que está implícita em todos os rituais, que acontece quando pomos em cada gesto uma intenção sincera, quando os nossos actos se alinham com a nossa verdadeira vontade e com a nossa consciência. E isto pode ser feito para ocasiões especiais, mas também pode acontecer nos rituais de todos os dias, apesar de não ser assim tão comum como possa parecer.
 
Este mês não é para olhar para as nuvens, nem para imaginar castelos no ar. Este mês é para nós darmos os pequenos passos que são necessários neste preciso momento, sabendo que cada um deles contém o potencial e o significado de todos os passos seguintes. Todos os dias em todos os momentos nós manifestamos alguma coisa. O que é que precisas de manifestar agora na tua vida? Quais são as pequenas acções possíveis e imediatas que vão traduzir a tua intenção? Estás à espera do quê para fazer a magia acontecer?

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Eclipse Solar em Leão 2018 – Somos todos heróis

6/8/2018

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ImagemFotografia de Amar Yashlaha em Unsplash
​Com o eclipse lunar do fim do mês de Julho todos sentimos, cada um à sua maneira, a libertação de algumas energias que nos pesavam e que nos causavam ansiedade. E, apesar de muita coisa ainda estar por resolver, o ambiente – e as nossas cabeças – estão agora mais limpos. Na manhã de sábado, 11 de Agosto, às 10h57 em Lisboa, 6h57 em Brasília, a Lua encontra-se com o Sol para o início de mais uma lunação e para o último eclipse desta estação. Este eclipse solar será visível apenas em algumas regiões do hemisfério Norte – Gronelândia, Rússia, países escandinavos e algumas partes da Ásia.
 
No céu, esta Lua Nova acontece aos 18° de Leão e a sua influência é maior para quem tem planetas ou ângulos perto dos 18° dos signos fixos, Touro, Leão, Escorpião e Aquário. Leão é a morada do próprio Sol e neste signo estão favorecidas a nossa espontaneidade, a nossa expressão e a nossa criatividade. Mas ele também precisa do reconhecimento dos outros e é dado à teatralidade nos sentimentos, tanto na forma de grandiosas demonstrações de afecto como na dramatização exagerada das suas próprias emoções. Quando Leão se manifesta em toda a sua luz, ele é o arquétipo do herói que conhece e aceita tão bem as suas capacidades quanto as suas fraquezas.
 
Mercúrio, o arauto real, faz companhia ao Sol e à Lua, mas ele está retrógrado e as palavras não saem facilmente. Aquele que leva e traz está agora fechado do lado de dentro, sem saber como dizer o que quer e sem entender o que os outros dizem. Pela positiva, esta é uma boa altura para fazermos um check-up à nossa auto-percepção. Será que sou assim tão importante como eu penso? Ou será que sou mais significante do que eu acredito?
 
A acrescentar alguma tensão a esta conjuntura, está o gigante Júpiter em Escorpião. A quadratura que este planeta forma aos luminares e a Mercúrio vem aumentar o clima de dramatismo. Podemos ficar a remoer ideias acerca do que os outros pensam de nós – ou porque alguém não devolveu um telefonema, ou porque disse alguma coisa que eu não gostei de ouvir ou por qualquer outro mal-entendido. Facilmente estes pensamentos podem tornar-se um ressentimento, mas tudo isto, na verdade, nada tem a ver com os outros, somos apenas nós mesmos a alimentar os nossos próprios medos, o de não sermos merecedores de reconhecimento e de validação. Outra manifestação desta energia pode ser o contrário: na tentativa de nos enaltecermos a nós próprios acabamos por fazer promessas que dificilmente conseguimos manter, na esperança de que alguém nos veja como melhores do que aquilo que acreditamos que somos.
 
De Peixes vem a salvação. Neptuno, aquele que nos redime, encontra-se neste signo do qual é o regente moderno e, daqui, faz um bonito trígono a Júpiter e ainda um quincúncio a Mercúrio, ao Sol e à Lua. Afinal, somos bem mais iguais do que pensamos, estamos todos no mesmo barco, somos todos gotas de água do mesmo mar. Se eu me reconhecer a mim, os meus medos e a minha luz, serei capaz de olhar para os outros por aquilo que são, com os seus medos e com a sua luz.
 
Plutão, que desde 2008 vem fazendo uma política de terra queimada em Capricórnio, também faz um quincúncio às duas luzes e acentua a premência de lidarmos com os nossos medos. Quanto maior for a facilidade de nos libertarmos das ideias nocivas que temos acerca de nós próprios, maior será a compreensão e a aceitação da nossa verdade e da verdade dos outros, ainda que estas não sejam coincidentes – e tantas vezes não são.
 
Este eclipse vem fechar esta estação e, juntamente com os dois eclipses que o precederam, dá o tom para os próximos seis meses. Está a começar uma nova etapa que nos promete céus mais claros, cabeças mais lúcidas e acções mais verdadeiras. Mas só poderemos assumir esse caminho se conseguirmos olhar para nós mesmos dispostos a ver-nos por inteiro, evitando as armadilhas do aplauso fácil e do elogio rápido. Neste momento precisamos de ser nós mesmos a reconhecer a nossa essência, sem “palmadinhas nas costas”, mas também sem falsas modéstias. Mesmo que não saibas, tu já és um herói. Agora só precisas de responder a esta pergunta: Qual é o teu super-poder?

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Eclipse Lunar em Aquário 2018 – Revoluções internas

26/7/2018

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ImagemFotografia de Warren Wong em Unsplash
​Desde a última Lua Nova, que nos trouxe um eclipse solar, sentimos a tensão a aumentar. Algumas questões vieram ao de cima e tornaram-se mais insistentes do que esperávamos, chamando a nossa atenção de uma forma cortante e a preparar-nos para o eclipse lunar que aí vem. Um eclipse lunar traz a culminação daquilo que andámos a cultivar nos últimos meses. Lembra-te da intenção que puseste na altura do eclipse solar em Aquário, a 15 de Fevereiro último. Pensa no que fizeste entretanto para alcançar o teu objectivo e percebe se chegaste lá ou se, pelo contrário, ele se tornou um obstáculo. De uma forma ou de outra, agora é tempo de fechar um ciclo.
 
Amanhã, sexta-feira, 27 de Julho, chegamos à Lua Cheia deste ciclo. Às 21h21, hora de Lisboa, e 17h21, hora de Brasília, Lua e Sol ficam frente a frente, a primeira aos 4° de Aquário e o segundo aos 4° de Leão, por isso este eclipse afecta especialmente aqueles que têm algum planeta ou ângulo no início dos signos fixos, Touro, Leão, Escorpião ou Aquário. Neste confronto, a Lua alinha-se perfeitamente atrás da Terra e, com a luz do Sol tapada pelo nosso planeta, a superfície lunar ganha uma cor avermelhada e densa e por isso se diz de sangue. Este será o eclipse lunar mais longo do século, com quase duas horas só de eclipse total, e esta Lua sangrante será visível em Portugal a partir do momento em que nascer no horizonte, às 20h47, e na metade oriental do Brasil a partir das 18h.
 
Aquário é um signo que preza a independência e a originalidade, mas também tem tendência a chocar os outros com atitudes divergentes e radicais. Aqui a Lua torna-se distante e imprevisível, afasta-se porque se sente discriminada e para alcançar a segurança precisa de se libertar das convenções e das regras sociais. Bem próximo da Lua, a menos de um grau, está o impetuoso Marte a trazer-lhe uma grande dose de reactividade.
 
Há já algum tempo que Marte forma uma quadratura com Urano que está no início de Touro. A primeira vez foi no meio de Maio, quando o planeta vermelho entrou em Aquário, e agora novamente nos últimos dias, em movimento retrógrado, quase a voltar a Capricórnio. O ambiente está carregado e nós andamos irritáveis, com a paciência de um gato assanhado e, de vez em quando, as faíscas saltam. A precipitação e os gatilhos inesperados provocam acidentes – um dia é um corte num dedo, outro dia uma torrada que deixamos queimar e, se tivermos sorte, os acidentes ficam por aqui… Um eclipse já é por si só um momento de inquietação, perdemos a luz e ficamos entregues à nossa própria escuridão. Com a proximidade de Marte, que arrasta consigo a tensão com Urano, o clima de ansiedade e a sensação de perigo iminente aumenta.
 
De um lado estão a Lua e Marte em aspecto tenso a Urano. Os nossos instintos de protecção estão acesos e disparam à menor percepção de ameaça. Queremos libertar-nos do que nos limita o crescimento, há cortes a fazer, mas é importante avaliar as consequências antes de avançar com algum tipo de resposta. Marte está retrógrado nos céus e a acção fica virada para dentro, o movimento é mais interno e privado do que propriamente para fora ou visível para o grupo. Agora as decisões ficam ainda dentro de nós e os passos são dados para trás para ganhar o impulso necessário, e só depois, daqui a um mês, quando Marte regressar ao andamento directo, poderemos avançar com as nossas resoluções em segurança.
 
Perto do grau do eclipse está sempre um dos Nodos e desta vez, muito perto, é o Nodo Sul, a Cauda do Dragão, que aponta as experiências já adquiridas, o território conhecido. Podes ter recebido algumas “visitas” do passado para te lembrares do que ainda precisas libertar-te. A sensação de isolamento e de rejeição em relação aos grupos, de não ter espaço para expressarmos quem somos acorda em nós uma grande revolta. Isto acontece com pessoas e situações externas, mas também com os nossos preconceitos e outras construções emocionais e mentais que levantámos para nos protegermos. Olhando para essa revolta, para essa força que cresce dentro de nós, como podemos usá-la de forma construtiva e benéfica para todos?
 
Vamos à outra polaridade do eixo, onde estão o Nodo Norte e o Sol, ao signo de Leão. Aqui encontramos a honra, o orgulho e a genuinidade. Precisamos de pôr brio na nossa rebeldia, coragem na nossa diferença e coração na nossa desobediência. Precisamos ser nós próprios a reconhecer o nosso brilho, romper com os nossos medos e com os mecanismos de auto-protecção que criámos e que nos afastam dos outros. Precisamos ter a coragem de mostrar quem somos.
 
Para já, estamos todos em modo selvagem, com os instintos afiados e prontos a saltar à menor provocação. Este eclipse é o auge deste período bastante intenso e desafiante, mas também vem com a dose certa de audácia para fazermos deste momento um ponto de viragem nas nossas vidas. O segredo é não encarar nenhum desafio ou afronta de forma pessoal, não responder a nenhum tipo de provocação e cultivar a paciência, a introspecção e, acima de tudo, o amor próprio. Mantém os dois pés no chão para não seres arrastado pelo vendaval, o coração aberto para poderes ver bem o teu brilho e o dos outros e ousa largar tudo o que compromete a tua verdadeira luz. Com o próximo eclipse solar daqui a quinze dias, fecha esta estação de eclipses e nós continuaremos as nossas vidas com o coração mais aberto, mais leve e mais luminoso. 

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Eclipse Solar em Caranguejo 2018 – Limpar o lixo tóxico

12/7/2018

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Espero que tenhas aproveitado o último mês para ganhar fôlego, porque as próximas semanas adivinham-se intensas. Esta noite, às 3h47 do dia 13, em Lisboa, 23h47 do dia 12, hora de Brasília, a Lua faz conjunção ao Sol nos 20° de Caranguejo e, por ser esta uma Lua Nova perto do eixo dos nodos, seremos brindados com um eclipse solar. Este eclipse não é especialmente forte, mas assinala o início da passagem do eixo dos eclipses da oposição Leão/ Aquário para Caranguejo/ Capricórnio. De todas as formas, um eclipse acrescenta sempre uma dose de dramatismo ao momento e os seus efeitos alargam-se por cerca de seis meses.
 
Caranguejo, o signo que recebe esta Lua Nova, é a casa da Lua, o ninho onde ela é rainha e senhora. Signo de água e cardinal, ele é o primeiro colo e o início da ligação emocional. A Lua encontra-se no seu próprio território, aqui ela é a mãe que alimenta e embala o bebé, mas é também o bebé que se esconde e procura conforto no peito da mãe. O Sol neste signo é a protecção que oferecemos a tudo o que é pequeno e indefeso para que cresça saudável e forte, mas também a imaturidade e a insegurança que nos deixam dependentes dos outros. 
 
Do outro lado do zodíaco, em Capricórnio, e exactamente oposto aos luminares, está Plutão, o senhor do submundo, e ele traz consigo temas que preferiríamos manter ocultos. Com esta oposição, a sensibilidade do eclipse é intensificada para além dos limites. Situações de prepotência e abuso de poder ou questões de carência e de dependência podem surgir. Somos obrigados a olhar precisamente para o que não queremos ver, para aqueles cantos escondidos onde vamos escondendo o nosso lixo pessoal na esperança de que, se não lhe tocarmos, ele se evapore e desapareça.
 
De uma forma construtiva, podemos utilizar esta energia para olharmos para nós mesmos e tentarmos perceber como é que nos negligenciamos. Como é que perdemos o domínio da nossa vontade? Como é que abdicamos do nosso poder pessoal e o entregamos ao outro em troca apenas de um pouco de alimento para as nossas inseguranças de estimação? Como é que manipulamos os outros para não nos vermos confrontados com as nossas próprias fraquezas e inseguranças?
 
Todos temos obsessões, dependências ou segredos que sabemos que são auto-destrutivos, mas que vamos mantendo por uma questão de hábito e de acomodação. Todas as raivinhas, frustrações e medinhos, que carregamos no bolso há algum tempo como se fossem pedras da praia, precisam de ser queimados para que não sejam eles a consumirem-nos por dentro. Agora é o momento para purgar hábitos, parcerias ou afectos que sabemos já há muito tempo que nos são tóxicos e prejudiciais, antes que eles nos rebentem na cara. Todos os demónios procuram companhia e onde houver alimento para um, há alimento para os outros…
 
Lua e Sol afastam-se de dois trígonos, um com Neptuno em Peixes e outro com Júpiter em Escorpião, o primeiro o planeta da transcendência e do sacrifício e o outro o da fé e do optimismo. Trazemos a memória de dias mais inocentes e mais leves e isso dá-nos confiança e acalenta-nos a esperança de que tudo passa e que a limpeza que temos a fazer nos vai deixar mais abertos e mais preparados para a vida que temos pela frente.
 
Da Terra vem a estabilidade que vai sustentar a profunda regeneração que precisa de ser feita. Vénus em Virgem, Saturno em Capricórnio e Urano em Touro, todos no início dos signos, formam um fortíssimo grande trígono de terra. As mudanças necessárias podem ser feitas sem dor e sem medo, podem ser vividas com o prazer das pequenas conquistas. Estas mudanças não têm de ser grandiosas nem dramáticas, na verdade bastam alguns pequenos ajustes e inovações numa ou noutra rotina e a disciplina para os manter. Mesmo que no início sintamos alguma resistência, depressa nos habituaremos à leveza e à clareza de espírito que vem de não mais carregarmos connosco a sujidade e o veneno que nos turvam a consciência.
 
Esta lunação pode trazer-nos pessoas ou situações que nos põem frente a frente com as nossas questões de poder pessoal e de vulnerabilidade. Nem a prepotência, nem a manipulação e nem a vitimização nos fazem crescer. Que hábitos ou pessoas eu preciso de largar para seguir em frente? Que lutas quero abandonar para não me perder nelas? Que dependências e compulsões vou aniquilar antes que me consumam? Que cada um assuma o compromisso de cuidar apaixonadamente de si próprio, respeitando as suas necessidades, mas não alimentando as suas carências, nutrindo o conforto, mas sem a toxicidade. Com realismo, simplicidade, criatividade e com toda a ternura que cada um de nós merece.

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Lua Nova em Gémeos 2018 – Respirar fundo

11/6/2018

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Durante a última lunação aconteceram algumas mudanças sintomáticas da entrada de Urano em Touro. De uma forma ou de outra, seja a partir de dentro, seja a partir de fora, muitas pessoas estão a ser empurradas a modificar a sua relação com aquilo que chamam de “seu chão” e a encontrar soluções mais sustentáveis. Uns preparam-se para mudar de cidade com o objectivo de melhorar a sua qualidade de vida, outros abriram o seu espaço ao público, outros ainda chegaram à conclusão que não ter uma morada fixa pode ser uma solução mais leve e mais adequada às suas necessidades. Em todos os casos, a mudança, mais ou menos dramática, provocada pelo próprio ou por acontecimentos externos, implica a procura de respostas inovadoras (Urano) relativamente ao seu território e à sua sustentabilidade (Touro).
 
Na próxima quarta-feira, dia 13, a Lua encontra o Sol para lhe falar ao ouvido. O encontro é 20h43, hora de Lisboa, ou 16h43, em Brasília, nos 22° de Gémeos, o signo de Ar mutável que brinca com as palavras e com as ideias. O segredo que a Lua conta ao Sol é que precisamos sentir aquilo que dizemos, senão as palavras perdem o significado. Depois da ventania das últimas semanas, a brisa de Gémeos vem ajudar-nos a respirar e a ouvir o que temos dentro de nós.
 
Os dois luminares não fazem contactos relevantes com outros planetas e os poucos aspectos que formam são separativos e com um afastamento já bem largo. Estão assim por sua própria conta, com os eventos mais marcantes nas suas costas e pela frente um mês sem acontecimentos dignos de nota. Claro que as nossas vidas não param e todos temos as nossas tarefas, os nossos compromissos e os nossos contratempos, mas as próximas semanas serão mais calmas do que aquelas que passaram.
 
Mercúrio, aquele que leva e traz a informação e os recados e gosta de fazer conversa fiada, é quem alberga esta Lua Nova. Apesar de estar perto das duas luzes, ele afasta-se da conjunção ao Sol e já segue no signo de Caranguejo. Nas águas cancerianas este planeta mostra-se menos falador e aquilo que pensa e que eventualmente possa dizer está mais ligado ao sentimento e mais sujeito à instabilidade das emoções. Apesar da criatividade presente nas ideias, a oposição de Mercúrio ao sério Saturno torna a comunicação ainda mais cautelosa e defensiva e é importante ser impecável com a palavra para evitar mal-entendidos. Urano também está em aspecto a Mercúrio e compensa esta tensão com uma mente rápida e bastante intuitiva.

As respostas vêm de dentro, de compreendermos as nossas emoções e as nossas necessidades de segurança e de pertença. Por isso, a comunicação sugerida pelo signo de Gémeos deve ser feita internamente, connosco mesmos. Durante estas semanas podemos aproveitar para nos lembrarmos de respirar devagar e profundamente, como fazem os bebés quando dormem. Neste ritmo de inspiração-expiração, vamos trazendo uma nova luz sobre o que se passou nas últimas semanas e vamos acomodando as mudanças que já aconteceram e aquelas que ainda estão a acontecer. Na próxima lunação o clima aumenta de intensidade e será vantajoso partirmos deste ponto de clareza e lucidez.

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O nosso Inferno e o nosso Céu – Ensaio sobre a Lua Negra

30/5/2018

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Negação, sombra e compulsão fazem parte da simbologia de Lilith. A sua força é poderosa e vem directamente do inconsciente, de um lugar onde o ego não controla. Talvez por isso, ela seja tão incompreendida, temida e reprimida. Na verdade, existem três pontos denominados Lilith: o foco vazio da órbita lunar; o asteróide Lilith; e uma hipotética segunda lua, identificada pelo astrónomo alemão Waltemath. Todas elas têm significados que se cruzam e que se complementam, mas neste artigo vou falar apenas da primeira.
 
Na sua órbita à volta do nosso planeta, a Lua descreve uma elipse, sendo a Terra um dos seus pontos focais e o outro um ponto vazio. É este segundo foco vazio que, de um ponto de vista geocêntrico, está situado na mesma direcção que o apogeu da Lua, o ponto da órbita lunar mais distante da Terra, que chamamos de Lua Negra, ou Lilith. Enquanto os nodos lunares nos falam da relação das órbitas da Lua e do Sol, a Lua Negra descreve a relação da órbita da Lua com a Terra.
 
Este ponto, que demora cerca de nove meses a percorrer um signo, tem uma grande oscilação, alternando constantemente entre o movimento directo e o retrógrado. Devido a esta instabilidade, consideram-se duas posições para Lilith: a Lilith verdadeira, a sua real posição no zodíaco; e a Lilith média, que resume o seu percurso a uma média linear. Esta última é a que aparece normalmente indicada por defeito nos programas de Astrologia. No entanto, a astróloga Kelley Hunter considera que a diferença entre as duas, que pode ir até 30°, forma um corredor no nosso mapa natal onde a sua influência é sentida.
 
Segundo a mitologia hebraica, Lilith teria sido a primeira mulher de Adão, criada ao mesmo tempo e do mesmo barro que ele. Mas Lilith não se quis submeter a Adão, nomeadamente no sexo, e abandonou-o. Foi então que Deus criou Eva a partir da costela de Adão, não como igual, mas como uma parte dele, pertencendo-lhe. Por raiva Lilith ter-se-á transformado num demónio que matava crianças e seduzia os homens no seu sono. Lilith também é associada à serpente que incita Eva a colher o fruto proibido da Árvore do Conhecimento e, ao comê-lo, ela e Adão passaram a poder distinguir o bem do mal, abandonando assim a perfeição do Jardim do Éden e entrando no mundo da dualidade.

ImagemLilith, Ishtar ou Ereshkigal, Babilónia, séc. XIX AC
A mitologia de Lilith cruza-se ainda com a de outras deusas como Inanna, Ishtar, Kali, Vénus ou Hécate, havendo dois grandes temas que a ligam a estas: o poder da sua sexualidade e a sua ligação com o instinto, o lado sombra e o submundo. Lilith é a mulher selvagem, o feminino indomado e insubmisso, a força da Deusa que o Masculino, o Ego e a mente racional não podem controlar. A Deusa sabe que o caminho para o Um passa inevitavelmente pelo Dois, pois a unidade contém em si a dualidade. Neste sentido, o feminino não é apenas o oposto do masculino, o feminino é também o desdobramento do um em dois. A luz deixa de ser apenas luz para se transformar em luz e sombra, a consciência é possível porque inclui em si o inconsciente, o espírito manifesta-se no instinto e o ser humano reconhece o seu lado animal.
 
Lilith representa no nosso mapa uma pulsão inconsciente e primitiva, que pode ser de vida ou de morte. Ela pode manifestar-se como uma força vinda directamente da Natureza, pura, visceral, poderosa e inexorável, ou como uma negação, um vazio, as trevas dentro de nós para onde não conseguimos nem olhar, quanto mais aceitar. Onde ela está encontramos sempre um grande desafio e um grande talento. Imagina que te aproximas de um precipício, desconheces as tuas asas, nunca as usaste e por isso não acreditas sequer que elas existam. Esse precipício apresenta-se como um abismo, um vácuo. Seguir por ali equivale a mergulhar no nada, na morte, e o medo impele-te a evitar esse lugar que te aterroriza e onde te perdes de ti mesmo. E, no entanto, é precisamente isso que precisas de fazer para poderes usar as tuas asas e conseguires voar a alturas que antes desconhecias.
 
Lilith habita nesse precipício, ela é a guardiã desse limiar que separa o chão conhecido do céu inimaginável e está lá para nos ajudar a chegar à nossa mais profunda verdade. Sempre que nos confrontamos com uma situação limite, seja esta física ou emocional, abeiramo-nos do precipício e encontramo-nos com Lilith. Ela seduz-nos e chama-nos a mergulhar nesse vácuo, como uma sereia, para depois, quando não podemos mais escapar, nos devolver a projeção de todas nossas imperfeições, todos os nossos defeitos, tudo o que não aceitamos em nós e que o nosso ego escolhe manter na sombra. E é esta não aceitação que é a nossa perdição. São o temor e a dúvida que nos impedem de confiarmos nas nossas asas, porque no fundo nos sabemos imperfeitos e não acreditamos que possamos voar. Enquanto não reconhecermos este nosso lado selvagem e primitivo, enquanto não tivermos a coragem de olhar para a sombra que nos persegue pelo simples facto de sermos matéria, corpo e densidade, olharemos para Lilith e para o seu precipício como uma ameaça.
 
A Lua Negra tanto pode ser o nosso Inferno quanto o nosso Céu. Para ir ao seu encontro, precisamos de nos despir de tudo o que são convenções sociais, culturais e morais e isto é o mais difícil de fazer. Aceitar a nossa nudez, a nossa carne, as nossas fraquezas, as nossas pulsões e, principalmente, a nossa mortalidade. Este é o caminho que nos leva a confiarmos que somos mais do que aquilo que nos permitimos conhecer e a conseguirmos ir mais além.

Imagem"Pecado", Franz von Stuck, 1893
Mas esta passagem não é feita através de uma decisão mental ou sequer vinda das emoções. Esta passagem acontece no âmago do nosso ser, num sítio dentro de nós que fica para lá do ego. Naquele lugar profundo onde estão o instinto e a intuição, aquele lugar onde escondemos o animal que ainda somos e onde nos ligamos à Natureza de uma forma primordial, sem máscaras nem artifícios. Esta passagem é feita de cada vez que enfrentamos a nossa fera, de cada vez que, olhando-a nos olhos, temos a coragem de seguir em frente. De cada vez que conhecemos um bocadinho da nossa escuridão e ousamos confiar nela, porque a sua força é a nossa força.
 
Lilith é a destruidora do ego, do ego que se serve a si mesmo e espera que todas as partes de nós o sirvam a ele, mas que, no entanto, não manda nada, porque na realidade quem está por trás da maioria das nossas decisões são os nossos medos. Ela é a destruidora do ego que mantém os nossos monstros fora da nossa vista e nos faz acreditar que somos civilizados, respeitadores, amáveis, justos e boas pessoas. Lilith provoca-nos ao ponto de perdermos a noção que temos de nós próprios para nos mostrar que, apesar de todo o verniz, continuamos a pertencer à Terra, iguais a todos os seus outros filhos.
 
Enquanto a Lua Branca é a Mãe que nos dá a vida, a Lua Negra é a Mãe que nos dá a morte. Mas é apenas a morte do ego que ela reclama. Se isso for para nós um fim, um vazio, e insistirmos em nos defendermos e em nos protegermos, o que a Lua Negra nos traz são precisamente esses monstros que tememos e que nos aterrorizam. Se, pelo contrário, cada célula do nosso corpo confiar que para lá daquilo a que nos habituámos a reconhecer como a nossa identidade há uma outra vida, se conseguirmos deixar para trás os filtros através dos quais o ego tenta controlar a existência, então poderemos alcançar a manifestação mais pura da nossa essência.
 
A casa e o signo onde Lilith se encontra no nosso mapa e os planetas que estejam em conjunção ou oposição apertada com este ponto começam por ser vividos em negação, manifestando o seu lado sombra nas nossas vidas. Seja através de atitudes compulsivas e “fora de carácter”, vindas de um instinto de sobrevivência primitivo e profundo que, por momentos, escapou ao controlo do superego. Seja através da sua projecção nos outros, cujos comportamentos reprovamos e condenamos. Ao tomarmos consciência dos fragmentos que exilámos de nós mesmos, começamos a poder expressar a força e o poder que Lilith promete a quem se entrega à vida despido de filtros e de máscaras, apenas com a coragem, a confiança e o amor de saber que a vida É sempre que nós Somos.

Publicado no Jornal da ASPAS, edição Outubro a Dezembro 2016 - nº 18

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Lua Nova em Touro 2018 – Mudar sem perder o chão

15/5/2018

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A lunação anterior foi propícia para impulsionar e potencializar objectivos. Trouxe-nos a garra e o pragmatismo necessários para focar as ideias da cabeça e lançá-las no mundo real. A Lua Nova de hoje traz o prenúncio das mudanças que se avizinham a longo prazo.
 
Hoje, terça-feira, dia 15, às 12h47, em Lisboa, e às 8h47, horário de Brasília, a Lua aninha-se com o Sol aos 24° de Touro, signo do elemento Terra e do modo fixo. Touro é o conforto de um abraço, o cheiro do pão quente a sair do forno e as conversas cantadas dos pássaros. Touro gosta de tempo, gosta de sentir o ritmo lento da terra e sensação de tranquilidade e segurança que experimentamos quando caminhamos descalços sobre a relva fresca. E esta lunação podia ser sobre isto. Só que não…
 
Poucas horas depois da Lua Nova, Urano, o planeta das revoluções, entra também em Touro para desencadear mudanças de fundo em todos os assuntos simbolizados por este signo. Urano ainda volta a Carneiro em Novembro para ingressar definitivamente em Touro em Março de 2019, onde ficará então até 2025. Estes primeiros meses da sua estadia em terras taurinas, até ao próximo Outono, e particularmente esta lunação, dão-nos uma perspectiva do que serão os próximos anos e de que forma a nossa vida vai ser revolucionada.
 
A nível social, a entrada de Urano em Touro vem revolucionar a banca e o dinheiro, a agricultura e a alimentação, a propriedade e a habitação, a relação com o corpo físico e a nossa atitude perante os recursos naturais. As inovações tecnológicas serão um dos motores propulsores de alguns destes avanços e as soluções da robótica e da inteligência artificial que hoje em dia ainda estão em fase experimental ou apenas ao alcance de muito poucos pelo seu elevado custo de produção tornar-se-ão mais populares e mais presentes nas nossas vidas. Outra motivação para a mudança vai ser o impulso para nos aproximarmos da terra, fazendo uma transição para um modo de vida mais simples, mais natural e mais enraizado, com a tecnologia a ter um papel auxiliar, mas sem se substituir à natureza.
 
Mas as transições de Urano não são tranquilas nem suaves, elas começam com o desmoronamento das antigas estruturas, daquilo que está cristalizado e que bloqueia o nosso desenvolvimento. Isto provoca caos e confusão, os avanços acontecem aos solavancos e com saltos repentinos e nós sentimos que perdemos o chão. Tudo isto é especialmente difícil para a energia de Touro, que valoriza a segurança e quer preservar o sossego e a paz, no entanto, esta perturbação momentânea é apenas o início do processo. Se nos permitirmos largar as velhas seguranças e os velhos valores iremos perceber mais à frente que o lugar aonde chegámos é mais espaçoso e proporciona-nos uma maior liberdade de movimentos.
 
Amanhã, quarta-feira, outro movimento nos céus confirma o ambiente de mudança. Marte, a nossa espada, sai de Capricórnio e inicia a sua marcha por Aquário. Assim que entra neste signo ele fecha uma quadratura exacta precisamente com Urano. Aquário tem afinidade com Urano, pois este é o seu regente moderno, e esta quadratura, que já se tem feito sentir nos últimos dias, vem acelerar pequenas mudanças iniciais. Por um lado, podemos fazer cortes radicais e libertar-nos de obrigações caducas e responsabilidades obsoletas que já não fazem mais sentido nas nossas vidas. Por outro, estamos também mais impulsivos e imprudentes e isto faz com que os acidentes aconteçam, as coisas se estraguem e a pessoas se magoem. Assim, somos empurrados a encontrar novas soluções para lidar com as questões mais práticas da vida. E a ideia é essa, sair dos limites dos caminhos conhecidos e procurar novos recursos que nos ajudem a resolver os problemas de formas diferentes e inovadoras. É que, se olharmos bem, até os problemas que queremos resolver já não são os mesmos de antes.
 
O território da Lua Nova deste mês, Touro, é a casa de Vénus, que se encontra em Gémeos quase sem comunicar com nenhum dos outros planetas, a não ser um sextil ainda muito fraco que se começa a formar com Urano. Vénus está também fora dos limites, ou seja numa declinação bastante alta, fora do caminho estabelecido pelo Sol. Talvez haja momentos em que nos apetece virar as costas, fingir que nada disto nos diz respeito e ocuparmo-nos com temas mais leves. Mas esta atitude não vai resolver os problemas, pelo contrário, só vai servir para aumentar a insatisfação interior e as tensões externas. Podemos aproveitar esta energia errante e insubmissa para perceber por qual lado queremos começar a virar a mesa.
 
Lua e Sol entendem-se por trígono com os poderosos Marte e Plutão e recebem deles a vontade e a força para materializar o futuro que já vamos antevendo desde o início do ano. Mercúrio em Touro harmoniza-se com Saturno em Capricórnio e recebe deste o apoio e a estrutura que nos ajuda a lidar com os imprevistos que a conjunção com Urano trouxe às tarefas quotidianas. Não é preciso resolver tudo hoje, mas é importante manter a calma para não deixar pontas soltas pelo caminho.
 
Desde Escorpião, Júpiter, que amplia o que toca, entende-se com o etéreo e transcendente Neptuno, que está em Peixes, numa canção sem palavras. Os dois cantam uma música que nos desperta para a nossa verdade interior e que nos alinha com o sentimento colectivo. Se estivermos atentos, conseguimos ouvir essa melodia suave, mas intensa e clara na sua mensagem: não existimos sozinhos e o mal que fazemos aos outros, aos animais, ao planeta, fazemos a nós mesmos. O nosso propósito apenas faz sentido se servir também uma missão colectiva e quanto mais abrangentes e mais inclusivas forem as nossas intenções, mais facilmente poderemos navegar estes tempos agitados.
 
Nas próximas semanas começas a ver pequenos exemplos das mudanças que aí vêm. Podes potenciar o seu crescimento e a sua continuidade alinhando os teus objectivos ao responder a algumas perguntas: Qual o valor que dou à área de vida onde estão os 24° de Touro no meu mapa? Como imagino a minha vida daqui a oito anos? Como posso simplificar o meu dia-a-dia e gerir os meus recursos de forma a ter mais tempo para o que me dá prazer? Como é que a tecnologia me pode ajudar com isso? Aquilo que valorizo é benéfico apenas para um grupo de pessoas ou é benéfico para todos?

A vida está em mutação e nós com ela, mas não podemos perder o chão. Podemos aprender com as árvores que deixam os seus ramos seguirem a direcção do vento enquanto as suas raízes se mantêm firmes. O tempo é de futuro e o futuro sustenta-se nos gestos que fazemos no presente. 

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Lua Nova em Carneiro 2018 – Alcançar as estrelas

13/4/2018

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​No mês que passou, uma dor antiga veio à superfície da nossa memória. Apesar de aparecer com outras vestes, em outros contextos, esta dor é a mesma de sempre. É a dor que habita no lugar mais fundo de nós mesmos, mas à qual não nos queremos habituar. No entanto, ela ressurgiu e fez questão de não passar despercebida. Viste essa dor? Olhaste essa dor de perto? Entendeste porque é que ela aí está? Ela não precisa de ir embora, afinal ela pertence-te, pertence-nos. E esta dor ensina-nos a aceitação.
 
Mais conscientes das armadilhas que usamos para escapar de nós mesmos, chegamos à Lua Nova de Carneiro, prontos para os começos que se anunciam. Acontece às 2h58 de segunda-feira, 16 de Abril, em Lisboa, e às 22h58 de domingo, dia 15, no horário de Brasília, quando a Lua alcança o Sol nos 26° deste signo. Carneiro é o primeiro dos signos, o Fogo da vontade, e é ele que abre o caminho na roda do zodíaco, com a sua iniciativa, o seu impulso e o seu destemor.
 
Bem perto desta Lua Nova está Urano, que nos mostra que o futuro está mesmo ali ao virar da esquina. Sentimo-nos vibrantes com o que aí vem e ansiosos por fazer alguma coisa diferente do habitual, algo que nos faça sair da rotina, algo que nunca experimentámos antes. As outras pessoas podem achar que perdemos o juízo, mas nós sabemos que o juízo está no lugar do costume e que a nossa sanidade não é medida pelo julgamento dos outros. Podemos surpreender-nos a nós próprios com a rapidez de uma decisão ou ficar espantados com uma situação tão inesperada quanto excitante que a vida nos oferece. O melhor mesmo é não pensar muito e seguir com a primeira intuição – afinal Mercúrio acabou de ficar directo, mas ainda está um pouco lento.
 
Lua e Sol afastam-se ainda de uma quadratura a Plutão, já a perder a força, mas ainda assim a pesar nas costas dos luminares. Há uma pressão que acentua a urgência de avançar, de ir ao encontro do futuro que prometemos a nós próprios. Para além destas companhias fora do nosso alcance e do nosso entendimento, Lua e Sol só se têm um ao outro. Mas isso não importa, o que menos incomoda Carneiro é seguir em frente sozinho.
 
Quem recebe esta Lua Nova é Marte, a acção determinada, que está em Capricórnio, onde se sente como em casa. De um lado ele recebe o suporte estruturado de Saturno e do outro Plutão oferece-lhe uma reserva quase inesgotável de energia para a concretização dos seus objectivos. Marte no signo da cabra harmoniza-se por trígono com Vénus, voluptuosa e abundante em Touro, o seu território nocturno, e por sextil com o etéreo Neptuno, em Peixes. O nosso esforço dinâmico e disciplinado alinha-se com as pessoas que estimamos e com aquilo que valorizamos, e sintoniza-se também com as nossas mais altas idealizações e com os nossos sonhos.
 
A oposição de Vénus a Júpiter, que conta com a ajuda valiosa e intensificadora de Plutão, aumenta o potencial de crescimento desta lunação, mas também carrega consigo aquilo que é provavelmente a única armadilha deste mês. Por um lado opera o milagre da multiplicação dos nossos recursos e dos nossos afectos, por outro pode tender para um certo facilitismo e uma noção de errada de merecimento sem esforço. Dito isto, Vénus, Marte e Saturno encontram-se todos dignificados em signos de Terra e dão a esta lunação uma sensação de firmeza e de continuidade. O que for impulsionado agora tem chão fértil e estruturas sólidas para crescer, permanecer e capitalizar.
 
O que é que precisas de iniciar este mês? Que parte da tua vida gostarias de potenciar? Que recursos teus queres fazer crescer? Esta Lua Nova vem com a combinação certa de impulso, foco no objectivo e sorte para transformarmos as nossas intenções numa realidade sustentada. Quer seja um projecto novo ou algo que já foi iniciado antes, aproveita a energia desta lunação para dar um novo alento à área tua vida onde se encontra o 26° de Carneiro. Ainda assim é bom lembrar que não vale tudo para conseguirmos o que desejamos. Apenas a combinação de trabalho, disciplina e audácia nos pode fazer chegar às estrelas. E, como diz uma querida aluna, “o resto são fósforos”.

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Lua Nova em Peixes 2018 – Deitar álcool na ferida

16/3/2018

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​As novidades e as mudanças trazidas pela última lunação estão em andamento e já não há volta atrás. No entanto, ainda somos visitados por alguns fantasmas do passado que insistem em reabrir a ferida que ainda dói, para não nos esquecermos de a limpar e de fazer mais um curativo.
 
É no sábado dia 17, às 13h11 de Lisboa, 10h11 de Brasília, que a Lua encontra o Sol aos 26° de Peixes, o último signo do zodíaco. Em Peixes estamos especialmente sensíveis e vulneráveis. As nossas fronteiras emocionais e psíquicas diluem-se e não estamos a lidar apenas com o nosso inconsciente, mas também com o inconsciente de quem nos rodeia e, de uma forma mais ampla, com o inconsciente colectivo. Este mês o oceano de Peixes agita-se e o mar salgado queima o que ainda está em carne viva. Estamos demasiado prontos a proteger-nos de perigos que podem ou não ser reais, mas que nos empurram para uma aprendizagem que só pode ser feita à força.
 
Lua e Sol estão perto de Quíron, tão perto que o sábio curador vai fazer-nos olhar para o sofrimento que ainda persiste. Sejam feridas recentes, feridas da infância ou feridas ancestrais – e não estão todas ligadas, ainda que por fios invisíveis? – algum acontecimento vem lembrar-nos que elas ainda ali estão, à espera de mais uma dose de entendimento e de aceitação que nos faça suportar a dor e que nos ajude a torná-la útil, se não a nós mesmos, então a outros. O que, para Peixes, acaba por ir dar ao mesmo.
 
Quase, quase a sair de Sagitário, Marte, a nossa agressividade e capacidade de luta, está em tensão com a Lua Nova e deixa-nos reactivos. Tudo nos parece uma ameaça e isto aumenta a irritabilidade, a instabilidade e a volatilidade do momento. A tensão cresce e a zanga deixa de caber no peito e precisa de ser extravasada. Temos, sim, o direito à revolta e à indignação. As emoções, especialmente as desconfortáveis, são impulsos para a mudança e para o crescimento e é importante recebê-las e aceitá-las antes de poder seguir em frente – para poder seguir em frente. Há cortes, decisões e escolhas que nos são cobrados e que não podem mais ser adiados, mesmo que isso implique sacrifícios. E por isso é tão urgente reagir, para não cairmos na impotência e no lamento vazio e para conseguirmos tornar este sofrimento produtivo e purificador.
 
Marte, a  lâmina que faz o corte necessário, harmoniza-se com Urano no fim de Carneiro e este empresta-lhe a frieza de um golpe único, seco e repentino. O corte pode vir de fora, de onde menos esperamos, ou de dentro, surpreendendo-nos a nós mesmos com o desprendimento e a capacidade de iniciativa. Mas mais do que tudo, a decisão que for feita revelar-se-á libertadora e criativa, com o potencial de nos mostrar de uma forma clara e definida aquilo antes apenas adivinhávamos.
 
Em Escorpião e a fazer um trígono aos luminares, está Júpiter, a lembrar-nos que o que arde cura e que, para impedir que as feridas infectem e nos causem danos maiores, é necessário, de tempos em tempos, abri-las e limpá-las. Júpiter mostra-nos também onde se acumula a porcaria que nos está a intoxicar, de forma a sermos cirúrgicos e incisivos no tratamento. Isto facilita o trabalho, mas nem por isso o torna mais suave.
 
A Lua Nova em Peixes vem como curandeira para nos ajudar a libertar o que nos pesa. Há angústias que carregamos que necessitam ganhar um novo sentido, necessitam ser transformadas em sabedoria, em medicina que pode ser usada connosco, com aqueles com quem nos cruzamos ou a um nível mais colectivo, se nos identificarmos com uma causa ou com uma missão. Mas é preciso voltar a mexer onde dói, abrir a ferida e lavá-la com álcool. É preciso fazer sacrifícios e aceitar as nossas dores, não para nos resignarmos ao sofrimento, mas para o libertar e para o usarmos como força propulsora de uma realidade mais clara e mais transparente.

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